Quarenta (2)

A ironia de se fazer 40 e reaparecer após um post de 40, em que nem escrever eu tenho mais vontade. Daquilo que foram ideias, os prompts tomaram o espaço e passaram a fazer o trabalho. Escrever parece uma satisfação à ausência, a matéria escura em sua maior unicidade.

Singular, como a vontade de não compartilhar. Amoral, em um plano que a livre viagem foi diagnosticada e seguimos ultrapassados levantando a bandeira do hiperlink.

Remorsos de não se atingir jamais o mundo realidade, no qual imaginar é desembarcar em um aeroporto que sempre cresce e acolhe todo um reino que habita sobre a cordilheira de um vulcão. Até pesquisei no chatgpt sobre como pular de realidades, ele me trouxe sobre a necessidade de privação do sono. Amigo do fim, crente no infinito, me lembrei que já são várias a minha própria única vida, o que até me cansa.

Nossa, me dei conta que o queria mesmo era escrever que me cansei das redes sociais, mas o quão social elas são se as interações são com desconhecidos completos, sem um fórum? De tanta especialidade, especificação, hoje eu só queria mesmo era jogar palavras que nunca precisarão ser lidas, revisadas, curtidas, comentadas, compartilhadas...

Que gosto retornar a essa penseira empoeirada. Deixar livre cada raiva seguir em linha. Tantos feedbacks para se trabalhar. Quando, de fato, se chovessem letras, é o meu nome que eu queria beber, uma letra de cada vez.

Prestes a mudar, a nave quer ficar. As vezes ela se relembra de voos a lugares que ela não sabe voltar. Imagens com curtidas engolidas por um buraco negro qualquer. Quem está aí? Um foco vasto no vazio interestelar, barulhento, ora calmo, inconstante, amedrontador, sem divisas ou finanças que sustentem um arrojo de desafio.

Perde-se o foco, como um feliz astronauta, sempre maravilhado com as possibilidades de mesmas palavras de diferenciação, é olhar tudo que é possível, se perder e seguir perdido, ter preguiça de aproveitar qualquer oportunidade e acomodar-se, descansar, dormir.

E se algum dia alguém encontrasse esse texto e ele compusesse uma questão de vestibular? Um ser externo, compartilhando algo naturalmente descurtível, abominável, escalável. Esqueci a palavra que termina com algum sufixo meio sofrível, se esborrachando ao longo de descidas perigosas e desiluminadas.

Apoio na fuga. Mas eu vou compartilhar sim a alegria de viver e até isso é irritante, tem que pensar, tem que desconvidar, tem que gastar. Mas eu inventei e assinei o contrato, lá atrás. O cosmo cobrou, a energia ainda não entregou.

Rabugices que não tenho coragem de postar mas que devem render algum like. Será que ainda se lembram que há o subliminar, o interpretativo? Um arrebatador "te quero", um pedido ao longo da estrada. O caminho segue, não se chega... Me perdi, queria voltar a falar das letras, diante da chegada iminente a uma nebulosa, melancólica, sedenta, tocante. Até me esqueço quando invento de reler, cada frase que por si só são tentativas inatas de conclusão.